sexta-feira, 5 de março de 2010

Aprendendo a nadar.

Cada um tem sua história é claro. A maioria das pessoas aprendem a nadar em uma escola ensinados por profissionais. Outras aprendem a nadar enquanto estão em uma situação de risco e só restam duas escolhas “nadar ou morrer”.
Minha história é um pouco diferente...


O dia ao certo eu não lembro, fazem uns 8 meses (ou mais).
Eu estava deitada em minha cama. Deveria ser por volta das 03:00hrs e eu estava no celular (ou no TeamSpeak, também não me recordo).


O caso é que meu..., não sei se posso chamá-lo assim, amigo e eu estávamos conversando sobre assuntos aleatórios até que chegamos no assunto de “nadar” (não me pergunte como conseguimos chegar nesse assunto, nós simplesmente conversávamos sobre tudo). Quando confessei a ele que eu não sabia nadar, ele simplesmente se espantou e riu.

Sim, ele riu.

Riu porque simplesmente para ele, nadar era como andar. O grande sonho dele era poder nadar profissionalmente, porém por complicações que ele teve no joelho isso não foi possível.
E também riu porque não conseguia imaginar uma pessoa que nasceu em uma ilha, aonde uns dizem que tem 42 praias e outros cerca de 100, não sabia nadar.

Mas ali, naquele momento ele começava a me explicar sobre as “técnicas” de nadar. No inicio achei tudo muito engraçado. Mais acabei por fazendo o que ele falava: “Fique com a perna reta, não dobre muito o joelho caso contrário você vai afundar”. Eu pensava “afundar na minha cama?”.

Bom após essa aula de nado, não tive coragem de por em prática. Pelo menos não tive coragem até que um dia paramos de nos falar.
Em uma bela tarde de sol, fui até a praia. No início senti medo, mais lembrava perfeitamente o que ele me ensinara e sabia o que fazer. As palavras que me acompanharam foram “se for se afogar tranque a respiração, o seu corpo não vai pro fundo e você bóia”. Parecia tão simples quando ele falava...
Tranquei a respiração e fechei os olhos. Tentei imaginar um colchão ao invés de água. Talvez um colchão de água pensei. Atirei-me no meu colchão de água.
Foi como se ele estivesse comigo: “Não dobre muito os joelhos, fique com a mão em formato de concha, bata os pés, um braço depois o outro, respire!”.


Abri os olhos, e eu simplesmente estava nadando.

Sensação? Conquista, liberdade, saudade.


Gostaria que ele soubesse que se não fosse por ele eu não teria conseguido.

O Ego.

No dicionário a palavra “ego” significa “Consideração ou apreço exagerado que alguém tem por si mesmo”, é uma ótima teoria e concordo plenamente com a mesma. Porém eu acrescento ainda que o ego esteja presente na personalidade do indivíduo de que está consciente e que exerce a função de controle sobre o seu comportamento.

Vamos deixar as definições de lado.

Há um tempo atrás, acompanhei um caso o qual gostaria de compartilhar.
Não vou citar nomes. Chamarei de “Dona Maria e Seu João”.

Dona Maria e Seu João eram muito amigos, companheiros inseparáveis eu diria. Cúmplices e confidentes (palavras mais do que perfeitas para descrever a amizade dos dois).

Nos últimos meses Dona Maria e Seu João tiveram uma discussão e ficaram um período, pequeno, sem se falar. Período pequeno no tempo, porém muito longo na vida de ambos. No entanto não suportaram a ausência um do outro e voltaram a conversar.
Juntos, concordaram que o motivo da discussão era pequeno demais para atrapalhar em sua amizade.

Em uma bela manhã de Sol Dona Maria e Seu João brigaram novamente, (não me pergunte o motivo, pois não lembro. Não sei nem ao menos se foi de fato uma briga, uma discussão ou um mal entendido). Posso dizer que Dona Maria e Seu João, após o acontecimento, nunca mais se falaram.

Quem começou a briga? Quem foi culpado?
Os dois!

Não importa.

Como minha avó diria “quando um não quer dois não fazem”.
Sábias palavras.

Agora você me pergunta: “Se essa amizade era tão forte porque uma briga, a qual nem é lembrado o motivo, acabou com ela?”.



Ego.

Sim, o ego é capaz de destruir as mais puras e confiantes amizades. É capaz de transformar besteiras em grandes acontecimentos.
Capaz de magoar, ferir, contristar. Capaz de impedir arrependimento.
No fim, deixa o remorso.

Enquanto isso, os dias passam. Eles seguem a vida em frente.
Sentem saudade? Não posso afirmar. Acredito que sim. Muita.

Única coisa que peço é que você pense a respeito.
Não deixe que seu ego tire o que você tem de mais precioso.
Ele pode nunca mais voltar.